Arquivo de 21 de Agosto de 2008
Pérola do Lampião
Pessoal, nas minhas aventuras chafurdando o saudoso Lampião da Esquina, deparei-me com uma reportagem de Francisco Bittencourt sobre o comício em Recife que marcou o retorno de Miguel Arraes, político e ex-governador de PE, exilado durante o regime militar. O texto é ótimo, como a maior parte do que foi escrito nas 37 edições daquele jornal, mas um trechinho merece a reprodução. Não resisto. Ao descer do avião, no aeroporto dos Guararapes, o repórter se vê diante de uma multidão alvoroçada com a presença de “Lula, o Metalúrgico…que merece um parágrafo inteiro. (Por favor, bichinhas do SOMOS, não me crucifiquem nem movam uma guerra santa contra mim depois de lerem este trecho, ta?). Pois é isso aí, o Lula é um pão, do que já desconfiava pelas fotos da ‘Veja’ e da ‘Isto É’. Além do mais tem um vozeirão e uma presença impressionantes. É tipicamente o que as bichas antigas chamam de ‘bofe’. No mesmo avião dele viajavam um senador e vários deputados. Todos tiraram casquinha no magnetismo de Lula, que foi quem falou primeiro à imprensa e que disse as palavras mais coerentes. À noite, no comício, ele repetiu praticamente a mesma coisa. O discurso dele é absurdamente simples, nestes tempos tão complicados: ‘ele quer um espaço justo para o operário, um tratamento decente para aqueles que produzem a riqueza do país. E ele não pede isso como um favor, mas exige e repete que não se curvará e que seus companheiros não se curvarão diante dos obstáculos criados pelo esquema de poder ou pelos políticos.
Ah, Lula, desse jeito tu chega lá, nego, talvez até com os votos das minorias, sobre quem até agora não te decidistes a abrir o bico. Faz isso, e se nesse ponto também te revelares não reacionário, todo mundo se une para te fazer presidente.”
E foi quase isso que aconteceu, né? Fez-se presidente, mas não com o apoio de todo mundo. Todo mundo era gente demais, mas boa parte das minorias se juntou para colocar o homem lá. Mas daí já eram outros tempos e nós não sabíamos. Foi preciso que a subtração de direitos dos trabalhadores nos abrisse os olhos.
Rodrigo Rosa